Castro Inabilitado: 7º Ex-Governador do RJ Condenado pelo TSE

Adrielle Gaião mar 26 2026 Política
Castro Inabilitado: 7º Ex-Governador do RJ Condenado pelo TSE

No dia 24 de março de 2026, o cenário político do Rio de Janeiro ficou mais sombrio. Cláudio Castro, ex-governador que ocupou o Palácio Guanabara entre 2020 e 2026, foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão não pegou ninguém de surpresa, mas o timing sim. Na segunda-feira anterior, ele renunciou ao mandato. Uma jogada estratégica, segundo especialistas, para evitar a cassação imediata. O caso envolve desvios em folha de pagamento secreta e 27 mil cargos fantasmas.

O Esquema das Folhas Secretas

Aqui está a coisa complicada: a condenação de Castro foca especificamente na criação de um esquema para beneficiar aliados políticos antes das eleições de 2022. As investigações apontam desvios na área de assistência social estadual. Em resumo, foram criados 27 mil "cargos fantasmas". Funcionários públicos existiam no papel, recebendo salários, mas ninguém aparecia para trabalhar. O dinheiro era desviado via pagamentos em espécie.

Essa operação contou com a participação de instituições como a Fundação Centro Estadual de Estatísticas (Ceperf) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A revelação inicial veio do portal UOL, em 2022, sobre as tais folhas de pagamentos secretas. Além de Castro, Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), também sofreu punição. Curiosamente, isso não é novidade isolada. É parte de um padrão histórico alarmante no estado.

A Lista Vermelha dos Governadores

Precisamos voltar um pouco no tempo. Não é desde sempre assim, mas nas últimas três décadas, o ciclo se repete assustadoramente. O fenômeno começa com Sérgio Cabral, que governou de 2007 a 2014. Ele acumula uma pena surreal: 274 anos, 3 meses e 24 dias de prisão em combinadas. Acusado de cobrar propina de 5% sobre grandes contratos, Cabral manteve contas no exterior com cerca de R$ 300 milhões sob nomes laranjas.

Wilson Witzel, que assumiu de 2019 a 2020, virou história por outra razão. Ele foi o primeiro governador a sofrer impeachment no Brasil desde a redemocratização. A remoção aconteceu devido a suspeitas de corrupção durante sua gestão. E não paramos aqui. Luiz Fernando Pezão, mandatário entre 2015 e 2018, foi preso apenas 32 dias antes do fim de seu governo, acatando uma ordem do STJ.

Garotinho e a Operação Secretum Domus

Antony Garotinho (1999-2002) e sua esposa Rosinha (2003-2006) também têm passagens polêmicas. A Operação Secretum Domus abalou ambos. A acusação pesada foi o recebimento de subornos avaliados em R$ 25 milhões. Isso ligado a superfaturamento em programas habitacionais, especificamente nos projetos Morar Feliz I e II. O escândalo girava em torno de contratos totais de quase R$ 1 bilhão em Campos dos Goytacazes. Rosinha chegou a ser detida preventivamente em três ocasiões diferentes.

E mais antigamente? Moreira Franco, que governou nos anos 1980 e 1990, passou por isso durante a Operação Lava-Jato em 2019. Ele chegou a responder por fraude milionária na Caixa Econômica Federal. Embora tenha sido absolvido de improbidade administrativa por falta de provas concretas, ainda foi condenado a devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos por desvio de recursos educacionais.

Quem escapou da teia?

Quem escapou da teia?

Surpreendentemente, existem exceções na lista negra. Apenas três ex-governadores do estado nas últimas décadas não têm registros de investigações criminais ou prisões nessa magnitude. Leonel Brizola (1991-1994) e o jurista Nilo Batista (1994) mantiveram seus mandatos limpos. Também se destaca Benedita da Silva, que assumiu em 2002 após a renúncia de Garotinho. Ela serviu como vice antes e não respondeu a processos federais graves.

Isso deixa uma pergunta incômoda no ar. Como é possível que todos os outros tenham caído? Especialistas em direito eleitoral sugerem que a pressão política e a ausência de controle interno eficaz facilitaram essas estruturas criminosas. A cada condenação, a confiança pública no sistema de administração estadual fica mais frágil.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre inabilitação e cassação de mandato?

A cassação remove o mandato imediatamente, obrigando o titular a sair do cargo. A inabilitação impede que o político concorra a futuras eleições por um período determinado, sem necessariamente tirar quem já está no poder, dependendo da fase processual.

Quando terminará a inabilitação de Cláudio Castro?

Segundo o julgamento do TSE, Castro ficará inelegível até o ano de 2030. Isso significa que ele não poderá pleitear cargos eletivos estaduais ou federais durante esse período de cinco anos a partir da decisão.

Houve outras pessoas condenadas nesse mesmo esquema de Castro?

Sim, além de Castro, foram punidos Rodrigo Bacellar, suspenso da Alerj, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente do Ceperj, ambos envolvidos na estrutura de criação de cargos fantasmas.

Por que tantos governadores do RJ tiveram problemas judiciais?

Análises apontam que a fragilidade nos controles internos da máquina administrativa permitiu esquemas de corrupção sistêmicos por décadas, envolvendo obras públicas e folha de pagamento estatal repetidamente.

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