Depressão Kristin mata 5 em Portugal e deixa Leiria em ruínas com ventos de 176 km/h

Adrielle Gaião jan 28 2026 Notícias
Depressão Kristin mata 5 em Portugal e deixa Leiria em ruínas com ventos de 176 km/h

Quatro mortes em Leiria e uma em Vila Franca de Xira. Essa é a triste conta da Depressão Kristin que varreu o centro de Portugal entre 27 e 28 de janeiro de 2026. Ventos de até 176 km/h no Monte Real Air Base transformaram ruas em rios de escombros, derrubaram torres de comunicação, destruíram estádios e deixaram mais de meio milhão de pessoas sem energia. A cena? Uma cidade em silêncio — não por falta de barulho, mas porque o vento já havia se levado tudo o que podia.

Uma tempestade que não veio sozinha

A Depressão Kristin não foi apenas uma tempestade. Foi um furacão de baixa pressão que se movimentou da costa oeste para o interior, passando por Leiria, Castelo Branco e Guarda, antes de cruzar para a Espanha. Mas o pior não foi o vento — foi o que ele arrancou. Em Leiria, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, falou em "destruição maciça". Dois óbitos foram diretamente causados pela tempestade; outros dois, por paradas cardiorrespiratórias desencadeadas pelo estresse extremo. A realidade? O corpo humano não foi feito para resistir a isso.

Infraestrutura em colapso

O Aeródromo Municipal de Coimbra foi literalmente desmontado. Aviões viraram lata, alguns classificados como "irrecuperáveis". O Estádio Engenheiro Carlos Salema, sede do Clube Oriental de Lisboa, sofreu danos estruturais graves. Em Gaia (Canelas), um muro desabou e garagens desmoronaram — mais de mil pessoas tiveram que ser evacuadas. Em Pombal, três famílias perderam suas casas. E em Vila da Nazaré? A praia invadiu a cidade. Areia cobriu ruas, janelas, até portas de casas. O mesmo aconteceu no Algarve, onde a agitação marítima arrastou toneladas de areia para dentro de residências.

Desastre energético e de comunicação

Mais de 500 mil clientes da E-Redes ficaram sem luz — a maioria na região Centro. Em Vila Nova de Poiares, uma torre de transmissão da MundialFM caiu como um palito. As operadoras de telefonia — MEO, NOS, Nowo e Vodafone Portugal — relataram falhas generalizadas. A conexão com o mundo externo? Cortada. E enquanto isso, em Vila Franca de Xira, só na parte da manhã foram registradas 73 ocorrências: árvores caídas, inundações, telhados arrancados. Foi um ataque contínuo, sem pausa.

Resposta oficial e apelo por ajuda

A Proteção Civil manteve o alerta máximo até às 23:59 do dia 27, pedindo que todos permanecessem em casa. "Situação muito difícil", disseram. O governo, por sua vez, expressou pesar pelas mortes. Mas o que realmente importa agora é o que vem depois. O presidente da Câmara de Leiria pediu oficialmente a declaração de estado de calamidade — algo que só ocorre quando a infraestrutura pública não consegue mais suportar a carga. E não é exagero. Carros foram esmagados por guindastes caídos. Telhados viraram asas. A cidade inteira parece um filme de guerra — só que sem bombas. Só vento, água e desespero.

Outra tempestade, outro caos: Joseph

Enquanto Kristin passava, outra depressão, chamada Joseph, atingiu o norte. Entre meia-noite e 6h30, Arcos de Valdevez registrou quase 100 ocorrências — quase todas relacionadas a quedas de árvores e alagamentos nas zonas ribeirinhas. O clima não estava apenas instável. Estava em guerra. E Portugal, mais uma vez, foi o campo de batalha.

O que ainda não sabemos

Os danos totais ainda não foram calculados. O custo de reconstrução pode superar os 200 milhões de euros. Mas o que mais pesa não é o dinheiro. É o medo. Medo de que, no próximo inverno, algo pior volte. Medo de que as autoridades não tenham aprendido. Medo de que, mais uma vez, a resposta venha tarde — quando já não há mais nada para salvar.

As primeiras lições

As árvores plantadas nas últimas décadas, sem planejamento adequado de raízes e espaço, foram as primeiras a cair. As redes elétricas, muitas delas com mais de 40 anos, não suportaram ventos que antes eram considerados "excepcionais". Agora, esses ventos são a nova normalidade. E ninguém está preparado. O que falta não é dinheiro. É coragem para mudar. Para reconstruir com resiliência, não apenas com cimento.

Frequently Asked Questions

Por que a Depressão Kristin foi tão devastadora em Leiria?

Leiria ficou exatamente no caminho da trajetória da tempestade, com ventos sustentados acima de 120 km/h por horas. A topografia da região, com vales abertos e pouca vegetação de proteção, amplificou os efeitos. Além disso, muitas infraestruturas antigas — como o aeródromo e redes elétricas — não foram atualizadas para resistir a eventos climáticos extremos, o que agravou os danos.

Quem está sendo ajudado após a tempestade?

As famílias deslocadas em Pombal e as mais de mil pessoas evacuadas em Gaia estão sendo abrigadas em centros municipais e escolas. A Proteção Civil, com apoio da Cruz Vermelha e da Câmara de Lisboa, está distribuindo água, alimentos e mantimentos. A E-Redes prioriza a restauração da energia em hospitais e centros de emergência. Mas muitos ainda aguardam respostas concretas sobre reparações e indenizações.

Por que o alerta máximo foi mantido por tanto tempo?

Apesar da passagem da tempestade ter terminado no fim da tarde, os riscos persistiram: árvores instáveis, muros rachados, cabos elétricos caídos e áreas de deslizamento. A Proteção Civil não podia garantir segurança mesmo após o vento cessar. O alerta foi mantido até que equipes de inspeção pudessem avaliar cada região — algo que levou mais de 24 horas.

O que a Depressão Kristin revelou sobre a preparação de Portugal para desastres climáticos?

Revelou que o país ainda vive em modo reativo, não preventivo. As cidades foram construídas com base em padrões climáticos de 30 anos atrás. Hoje, eventos como esse ocorrem com frequência crescente. Falta investimento em redes inteligentes, plantio de barreiras naturais e atualização de códigos de construção. A resposta não pode ser apenas limpar a areia — precisa ser reconstruir com inteligência.

Há risco de novas tempestades como essa em breve?

Sim. A tendência climática mostra que depressões intensas no Atlântico estão se tornando mais frequentes e mais fortes. O inverno de 2026 já teve três eventos severos em menos de 60 dias. Cientistas alertam que, se as emissões continuarem no ritmo atual, eventos como o da Kristin podem se tornar anuais — e não mais exceções.

Como os moradores podem se preparar para o futuro?

Mantenha um kit de emergência com água, comida não perecível, lanterna e baterias. Evite estacionar sob árvores ou muros antigos. Conheça os pontos de evacuação da sua freguesia. E, acima de tudo, não ignore alertas da Proteção Civil — mesmo que pareçam exagerados. O que foi "exceção" ontem pode ser a regra amanhã.

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